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Próprio-controle

Tudo funciona muito bem quanto ao próprio-controle dos seres humanos, até dar algo de errado. Eles sentem que a geleca que chamam de corpo é o que devem chamar de 'eu' e têm plena certeza de que podem se próprio-controlar.

Quando, por qualquer motivo, se perde esse próprio-controle, há pânico. É curioso como uma caimbra, espasmos ou convulsões não são ligadas a uma ação do 'eu'. Estas são ditas ações involuntárias. Porém, involuntárias para quem?

Muito provavelmente quando pensam em vontade, pensam no 'mim'. minha vida, então eu farei o que quero" - (Frase típica de seres humanos em crise de existência)

Este 'mim', entretanto, também sofre de caimbras. O que chamam de Amor e Neura são típicas manifestações de caimbras do 'mim'. Jogam involuntariamente os pensamentos à uma direção desconfortável, chegando a machucar dependendo em que parte ocorre. Existem em maior ou menor grau, passam com o relaxamento apropriado e podem ser evitadas nos graus mais fortes, na maioria das vezes, mantendo-se aquecido.

O fato de um ser humano ter caimbras não significa, propriamente, que está com defeito. Eles vêm assim da grande fábrica e assim retornam para lá. Claro, com a dor causada por uma caimbra, a passagem de volta às vezes pode ser marcada com um pouco de antecedência... Sobre o prazo de validade, fica para outra postagem.

Rotina

Nas grandes cidades humanas, rotineira mas não previsivelmente, ocorre um evento curioso em que eles decidem ir nadando aos lugares ao invés de simplesmente caminhar. Deve ter algo a ver com as guelras que eles apresentam no estágio embrionário, algo adquirido por deriva genética inércia filogenética.

Enfim, para isso eles preparam durante meses os bueiros tampando-os para impedir o escoamento normal de água, para que assim tudo inunde com a primeira chuva que cair.
Ao menos foi essa conclusão a que cheguei, pois não encontrei nenhum outro motivo lógico para eles insistirem em jogar coisas no chão tendo plena consciência dos efeitos disso.

Os seres humanos agem curiosamente quanto à rotina. Quando percebem que as coisas estão na mesma há uma constante de tempo que consideram relativamente longa, decidem que querem mudar. Porém, se a quebra de rotina acontece de surpresa, entram em pânico.
Seja por uma conta que extrapole os gastos previstos, seja por uma companhia telefônica responsável pela conexão banda larga que fica fora do ar, eles se sentem impotentes de fazer algo e se frustram, ficam infelizes (ainda mais) e entram em pânico.
Mas não ficou claro o porquê do pânico que sentem ao sentir a água passando da altura do joelho quando chove. Todo o esquema de entupir o escoamento d'água parece tão bem arquitetado (sempre dá certo) que é quase impossível que seja um acidente. Mas ainda assim eles apresentam os mesmos sintomas de alguém que não esperava que uma coisa dessas fosse possível.


Enfim, quanto a cuidados com seu humano, a dica é que não o deixe largado por conta própria no seu jardim caso não esteja pensando em adquirir uma piscina natural ou coisa assim.

"Comprei o produto mas ele veio infeliz, o que posso fazer?"

Não há muito o que fazer, simplesmente.

Os seres humanos tendem à infelicidade (em grande parte pela frustração de serem incapazes de se comunicar) quase o tempo todo. Mesmo aqueles que possuem relógio de pulso quase sempre estão infelizes (Adams, 1979).

Parte da pouca felicidade que exalam durante a vida foi observada que se dá quando acham que conseguiram entender outro ser humano e/ou que foram entendidos por este. Essa condição foi nomeada amor (nos casos mais graves) ou amizade (nos mais leves) na proto-linguagem deles. Infelizmente, para o caso mais grave, constata-se que há surtos de demência e falta de racionalidade.

Essa doença já é bem conhecida e tratável em vários pontos da galáxia, mas dadas as circuntâncias nesse mundinho evita-se trazer a cura: sem essa condição, boa parte dos humanos podem acabar virando pedra.